• Dois fatos podem ser ilustrativos das transformações por que passaram os homens nas sociedades modernas. O primeiro diz respeito à evolução da arte de retratar e o segundo, à substituição do ato de biografar. No que se refere ao primeiro, havia uma tendência, até o advento da modernidade, a se retratar apenas os “universais concretos” - deuses, heróis e santos - com ela inaugurou-se a prática de retratar o homem em detrimento do seu nome sua condição social e outros atributos.
• Do mesmo modo aconteceu no campo da literatura. Antes não havia espaço para que se falasse do indivíduo singular, do homem comum e sim do itinerário de figuras ilustres, da trajetória de uma alma brilhante. As autobiografias só eram feitas se o sujeito preenchesse esses requisitos, como exemplifica as confissões de Santo Agostinho. Com a Modernidade dá-se uma inversão. Abre-se um espaço para as autobiografias e até mesmo as biografias retratam o particular, o homem comum, pois o que se pretende é valorizar o ser pensante, o homem enquanto um ser racional.
Os valores morais na modernidade
Ética, cidadania e responsabilidade socioambiental
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