Bem diferente é a experiência do sujeito no poema da unidade desta semana (“Cântico Negro”, de José Régio).

Nesse texto, o eu confronta os outros e se julga independente e autôno-mo em relação a eles. O processo de subjetivação aqui ocorre numa decisão pessoal de trilhar o próprio caminho e de assumir riscos nesse trajeto. Seu valor próprio, sua autoestima e seu lugar no mundo se constroem no confronto com o outro, mas não depende dele no final das contas.

 

Feliz ou infelizmente, a maioria de nós está no meio desses extremos na relação eu versus o outro. Nós nos sentimos ora desvalorizados e diminuídos pelos outros, ora indiferentes à sua opinião e seguros de nosso valor e conquistas. Às vezes somos aquele ou aquela que re-baixa e desqualifica os outros, às vezes somos aquele ou aquela que incentiva os outros a seguir seu caminho sem olhar os demais.

Ser Humano, Cultura e Sociedade A construção da alteridade

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