Assim, é nesse confronto entre o eu e o outro que o eu cresce e se desenvolve na relação com o outro. Compreender que o outro tem percepções, valores, reações e costumes diferentes dos nossos nos obriga a repensar e confrontar essas coisas dentro de nós e dentro deles. Obriga-nos a desco-brir o outro e a reagir a ele.
Pois desse processo pode nascer a aceitação e reconhecimento do outro, aproximando-o de nós em plena comunhão, respeito e igualdade. Ou dele pode surgir o medo e a rejeição do outro, distanciando-o de nós por meio da violência, da discriminação e da dominação.
No poema da unidade passada (“Poema em linha reta”, de Fernando Pessoa) vimos um sujeito no texto que é confrontado pelos outros e se julga rebaixado e deslocado em relação a eles. O eu naquele texto se sente diminuído e sua subjetivação (a formação do eu) se faz com marcas de dor, inferioridade e exclusão.
Ser Humano, Cultura e Sociedade • A construção da alteridade
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