O que é e como se constrói a alteridade

Alteridade é o contrário de subjetividade, conceito que apren-demos na unidade passada. É a realidade e o reconhecimento de que cada ser humano tem uma relação tripla com o outro (alter, em latim): nós somos diferentes uns dos outros, nós con-vivemos uns com os outros e nós dependemos uns dos outros.

Assim, a alteridade é a consciência de que que existe um eu em oposição e em relação com o outro. Sem ela, não haveria história, civilização, relações sociais, política e as várias ações e realizações humanas baseadas no diálogo e conflito, aproxi-mação e distanciamento entre os seres humanos.

O outro é essencial para o crescimento pessoal, ajudando e participando no desenvolvimento do eu. Inicialmente, o bebê o corpo da mãe e o mundo externo como extensão de si pois isso era uma realidade antes do nascimento. Depois ele apre-ende e reconhece que ele é um ser à parte, com uma consciência e existência própria e individual. Pouco a pouco, ele ou ela vai compreendendo o outro como uma vida diferente, que enxerga as coisas e pensa o mundo de forma diferente: a mãe, o pai, os parentes, outras crianças, outras pessoas, outros grupos, outros povos.

Mas se o outro é diferente, ele não passa indiferente por nós. Nossa identidade, nosso valor próprio, nossa consciência moral é validada pelo outro que reafirma ou nega tais coisas em nós, especialmente (mas não só!) na infância. Quando chegamos à adolescência, chegamos ao momento de assumir ou rejeitar um monte de conceitos e tradições que nos foram repassados. E tal processo continua, de forma obviamente menos intensa, ao longo da vida adulta.

Ser Humano, Cultura e Sociedade A construção da alteridade

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